‘Salada de Peguari’ pode virar patrimônio cultural imaterial das comunidades tradicionais de Ilha de Maré

Salada de Peguari

Reconhecer a Salada de Peguari como Patrimônio Cultural Imaterial das Comunidades Tradicionais de Ilha de Maré. Esse é o objetivo do projeto de lei protocolado na Câmara de Salvador pela vereadora Eliete Paraguassu (PSOL). A proposta, publicada no Diário Oficial do Legislativo desta quarta-feira (29), destaca a relevância histórica, cultural e gastronômica do prato.

“O Peguari é um molusco comestível, uma espécie gastrópode marinha, cientificamente conhecido como Strombus pugilis. É um fruto do mar muito apreciado na Bahia, especialmente na região da Baía de Todos-os-Santos e, especificamente, na Ilha de Maré, onde uma festa anual é dedicada a ele”, inicia a justificativa da proposição.

A vereadora destaca a Salada de Peguari por se tratar de um prato típico das comunidades tradicionais da Ilha, com relação direta com os manguezais, que são ecossistemas costeiros de transição entre a terra e o mar, caracterizados pela presença de vegetação de mangue, onde estes moluscos estão presentes em abundância.

A justificativa do PL ressalta que por muitos anos e até hoje, os manguezais foram a principal fonte de alimentação de povos indígenas e negros, que buscaram na ilha um refúgio nos tempos da escravização humana no Brasil. Neste sentido, a Salada de Peguari é uma elaboração própria destas comunidades, uma celebração da história de um povo resistente. A carne do peguari é cortada em pequenos pedaços e misturada com outros ingredientes para fazer a saborosa salada, com temperos como cebolinha, pimentão, coentro e limão.

Ao longo dos anos este prato tornou-se fundamental nas casas das famílias onde a mariscagem é uma prática tradicional centenária. Com o aumento do turismo nas ilhas e a abertura do comércio local, tornou-se um prato presente no cardápio dos restaurantes que atendem quem chega para aproveitar as praias e a natureza paradisíaca de Ilha de Maré.

Festival do Peguari

A Salada de Peguari é tão importante que a comunidade realiza, anualmente, na Praia das Neves o Festival do Peguari e Frutos do Mar. A 22ª edição aconteceu este anos e a próxima já está marcada para o dia 11 de janeiro de 2026.

A concha do Peguari também é utilizada para a elaboração de peças artesanais que são comercializadas em Ilha de Maré e expostas em feiras da cidade de Salvador e região. Na confecção de objetos como móbiles, centros de mesa e quadros. Na fabricação de biojóias como pulseiras, brincos e colares é vista como um objeto com energias positivas e calmantes. Para quem busca significados espirituais, as conchas de peguari são utilizadas nas religiões de matriz africana para atrair prosperidade e harmonia.

“Por todo exposto, pelo grande significado da gastronomia tradicional que caracteriza estes territórios, desse alimento que faz um importante resgate histórico da constituição heterogênea do povo baiano por meio da culinária, nada mais justo que a cidade de Salvador instituir a “A Salada de Peguari” como Patrimônio Cultural Imaterial das Comunidades Tradicionais de Ilha de Maré, no Município de Salvador”, defende o projeto.

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