Observatório da Baía de Todos-os-Santos deve ser implantado até o final de 2025

O Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Baía de Todos-os-Santos (OTSS-BTS) começa a ser estruturado em Salvador e deve ser implantado até o final de 2025. O passo inicial foi dado na noite de 24 de março, no Programa de Pós-graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.

Um encontro reuniu movimentos sociais organizados da sociedade civil e comunidades tradicionais, pesquisadores, professores, representantes de instituições de ciência e tecnologia e de órgãos públicos que vivem na Baía de Todos-os-Santos (BTS).

A iniciativa de implementação do OTTS-BTS em Salvador é uma articulação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Mandato Popular das Águas da vereadora Eliete, o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), o Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho (PPGSAT/UFBA) e comunidades tradicionais, dentre elas as comunidades quilombolas de Ilha de Maré.

A vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) explica que o observatório tem o objetivo de ser um espaço tecnopolítico de geração e troca de conhecimentos, com a atuação das comunidades tradicionais, pesquisadores populares e da academia para o desenvolvimento de estratégias que promovam sustentabilidade, saúde e direitos para o bem viver dessas comunidades em seus territórios.

“Esse observatório é um sonho antigo das comunidades tradicionais da Baía de Todos-os-Santos para que tenhamos mais uma ferramenta na garantia de que os territórios sejam livres, saudáveis e sustentáveis”, destaca Eliete Paraguassu, primeira quilombola vereadora de Salvador.

A iniciativa de um espaço para a promoção da saúde e do desenvolvimento sustentável dos territórios de comunidades tradicionais surgiu na região Sudeste do país, com o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS).

“A experiência da Fiocruz com o Fórum de Comunidades Tradicionais do Rio de Janeiro e São Paulo, que reúne caiçaras, indígenas e quilombolas, tem tido um relativo sucesso na defesa dos modos de vida dos povos e comunidades tradicionais”, diz Edmundo Gallo, pesquisador da Fiocruz e coordenador-geral da OTTS de Bocaina, que participou do encontro em Salvador.

Para o pesquisador, “é uma aliança importante do conhecimento científico com o conhecimento tradicional, para que esses dois saberes juntos e potentes possam propor soluções de conservação da biodiversidade, de garantia dos modos de vida tradicionais e dos direitos das pessoas contra os grandes empreendimentos que ameaçam todas essas dimensões”.

Toxitour

As atividades do encontro incluíram a realização de um “Toxitour” pela Baía de Todos-os-Santos, com a presença de pesquisadores, professores e representantes de organizações governamentais e não-governamentais. Através da denúncia das comunidades, o grupo conheceu os locais com degradação ambiental em consequência da atuação de grandes empresas, da contaminação dos territórios por metais pesados e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), decorrentes da extração do petróleo, como diz a vereadora Eliete Paraguassu.

“Esperamos que o observatório seja uma grande ferramenta para o enfrentamento do processo sistêmico de contaminação na Baía de Todos-os-Santos e contribua com as pesquisas que a academia vem produzindo ao longo dos anos, além de fortalecer a luta histórica das comunidades contra os impactos do racismo ambiental”, disse Marcos Brandão, educador popular integrante do Conselho Pastoral das Pescadoras e Pescadores (CPP).

Jornada Maré de Março

O encontro integra a Jornada Maré de Março, ação do mandato da vereadora Eliete Paraguassu, que promove uma série de atividades com foco na valorização das comunidades que vivem da pesca, da mariscagem e da preservação dos ecossistemas aquáticos em Salvador.

“A jornada é um tributo à relação ancestral dessas populações com o mar e seus saberes tradicionais, destacando a importância das águas para a sobrevivência e a identidade cultural das comunidades”, completa a vereadora.

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