Há quase um mês, a relação entre a comunidade de São Tomé de Paripe e a empresa Intermarítima está em conflito após o aparecimento de um líquido azul em um trecho da principal praia do Subúrbio de Salvador. Denúncias de moradores atribuem o dano ambiental a um suposto descarte irregular no Terminal Marítimo de Granéis. A afirmação, no entanto, é negada pela direção da empresa.
Nesta segunda-feira (16), representantes da Intermarítima receberam veículos de comunicação e páginas de notícias do Subúrbio para apresentar a versão da empresa sobre os fatos amplamente divulgados nas redes sociais, em sites e também na TV aberta.
O encontro contou com a presença do diretor-presidente da empresa, Roberto Zitelmann, que fez uma explanação sobre o trabalho iniciado pelo grupo na localidade a partir de 2022. Antes disso, desde 1989, o terminal era administrado pela Gerdau.

Conforme a Intermarítima, as grandes quantidades de cobre e nitrato encontradas nos últimos dias em uma área nos fundos do terminal teriam sido herdadas da antiga atividade de logística de produtos químicos realizada pela Gerdau no local. O caso segue sob investigação técnica.
A direção da empresa também afirma que os materiais utilizados atualmente no terminal para a produção de adubos — como cloreto de potássio, ureia, fertilizante mineral e rocha fosfática — não agridem o meio ambiente.

Sobre as acusações de responsabilidade pelo descarte irregular do material no mar, o diretor-presidente da Intermarítima disse que a empresa se surpreendeu com as denúncias.
“Inicialmente, a gente achou que era sabotagem. Mas depois vimos que não era, e que se tratava de algo que precisava ser investigado”, afirmou Roberto Zitelmann.
Interdição do Inema x placa de restrição
Ainda segundo o gestor, o aparecimento de animais mortos na areia da praia não teria relação direta com os produtos químicos encontrados em um “pequeno trecho” atrás do terminal. Ele citou a pesca irregular com uso de bombas como uma das possíveis causas, hipótese que também segue sob investigação.
A direção da Intermarítima ainda afirmou que o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) não determinou a interdição da empresa, conforme nota divulgada pelo próprio órgão estadual, apenas indicou que uma placa de “área sob investigação ambiental” seria instalada nas imediações do muro do terminal, onde as amostras de nitrato e cobre foram coletadas. Roberto acredita que houve falta de clareza no comunicado divulgado para a imprensa.
Manchas, fertilizantes, responsabilidade e animais mortos
Em entrevista ao Correio Suburbano, o analista de relacionamento com a comunidade da Intermarítima, Sérgio Melo, detalhou o posicionamento da empresa sobre o caso em São Tomé de Paripe.

“A gente está vendo todo esse processo com muita responsabilidade e transparência. Desde o surgimento das manchas temos prestado todos os esclarecimentos necessários aos órgãos de fiscalização, fornecido a documentação solicitada e trabalhado de forma transparente para construir o entendimento de que não existe uma relação direta entre o surgimento das manchas e os produtos transportados pela empresa”, afirmou.
Segundo Sérgio, cerca de 99% dos produtos movimentados pela Intermarítima são fertilizantes.
“Esses fertilizantes não são produtos perigosos e não representam risco para a saúde humana. Eles são transportados dentro de critérios rigorosos de responsabilidade ambiental. Queremos trazer tranquilidade para a comunidade, mostrando que estamos atentos ao que está acontecendo. Em nenhum momento a Intermarítima negou a existência do fato. Pelo contrário: desde o surgimento das manchas instituímos um comitê interno para identificar o possível causador, temos colaborado de forma aberta com os órgãos de fiscalização e seguimos abertos para ouvir e atender as demandas da comunidade”, destacou.

O porta-voz da empresa também comentou sobre a mortandade de animais, como peixes, siris e até uma tartaruga-marinha, registrada em vídeos que circulam nas redes sociais.
“Tudo isso ainda está sob investigação. É importante ter cautela neste momento para evitar julgamentos sem uma análise conclusiva dos fatos. O Inema está realizando todas as testagens necessárias, tanto em relação às manchas quanto à possível morte dos animais. O órgão ambiental é quem vai se manifestar oficialmente sobre isso”, concluiu Sérgio Melo.
