Um influenciador digital baiano foi preso pela Polícia Civil na quarta-feira (1), em Hortolândia, no interior de São Paulo, suspeito de aplicar golpes pela internet. Natural de Salvador, o investigado morava em Paripe, no Subúrbio da capital baiana, conforme apuração do CS. Segundo divulgado pelo portal G1 e pela EPTV1 (veja aqui), afiliada da Rede Globo, Lucas Tiago Oliveira de Cerqueira é apontado como responsável por coordenar as movimentações financeiras de uma organização criminosa.
O jovem e outros influenciadores digitais são investigados na Operação Modo Selva, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp/Dercc).

De acordo com a Dercc, a ação visa combater lavagem de dinheiro e estelionatos virtuais praticados pelo grupo criminoso, que induzia as vítimas a adquirirem produtos pagando apenas o frete. Os investigados, atuantes em todo Brasil, se valiam das redes sociais de pessoas famosas para impulsionar as falsas campanhas, atingindo assim, um maior número de vítimas.
Nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco, foram cumpridos 9 mandados de busca e apreensão, 7 mandados de prisão preventiva, além do sequestro e indisponibilidade de 10 veículos, bloqueio de 21 ativos, investimentos ou aplicações, contas bancárias e carteiras de criptoativos, em valores que podem chegar a R$ 210 milhões.
Como funcionava o esquema
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o crime consistia em fraudes eletrônicas, as quais utilizadas uma “deepfake” (síntese de imagens e sons humanos, baseadas em inteligência artificial) de pessoas famosas para anunciar falsamente produtos cosméticos de marcas conhecidas.

As pessoas interessadas eram direcionadas para sites fraudulentos, onde forneciam dados pessoais e realizavam pagamentos via Pix através de “gateways” de pagamentos controlados pela organização. Os valores eram processados através de empresas fantasmas e contas de “laranjas”, incluindo idosas de 80 e 84 anos que tiveram suas identidades utilizadas sem conhecimento.
O esquema criminoso possuía uma estrutura hierárquica bem definida, com cada integrante desempenhando funções específicas tais como: o líder intelectual do grupo, o operador financeiro, o facilitador de pagamentos e a influenciadora do crime.
Segundo informações da EPTV1, o chefe da organização é Levi Andrade da Silva Luz, que criava os vídeos falsos. Outros alvos são Leonardo Sales de Santana e Laís Rodrigues Moreira, conhecida como “Japa”, que, segundo a investigação, atraia as vítimas. As prisões aconteceram em Canoas (RS) e em Piracicaba e Hortolândia (SP).
“O Lucas que era o principal alvo, ele e o Levi, que orquestrava e organizava o funcionamento de todos os golpes”, detalhou Isadora Galian, delegada de Investigações Cibernéticas Especiais do RS.
As investigações apontaram que os criminosos demonstravam em suas redes sociais como utilizavam o dinheiro das vítimas. Eram vitrines de ostentação, com veículos de luxo como Porsche Cayenne S, Range Rover Velar, BMW 430i e motocicletas BMW.

Também foi constatado que a grande maioria das vítimas jamais denunciava os golpes. Em razão dos golpistas cobrarem valores relativamente baixos – geralmente entre R$ 20 e R$ 100 – muitas pessoas simplesmente arcavam com o prejuízo sem procurar as autoridades.
“Isso criava uma situação perversa onde os criminosos tinham uma espécie de ‘imunidade estatística’. Eles sabiam que a maioria das pessoas não denunciaria, e então operavam em massa sem medo”, explicou Isadora, que é titular da Dicesp/Dercc.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso ostentava em redes sociais carros de luxos, viagens de helicópteros e aviões particulares, fomentando seus seguidores também a fazer uso de jogos online. Também foi apurado a existência de uma plataforma falsa de apostas de jogos, aumentando a capitalização da organização criminosa.

Outro aspecto verificado foi a criação, por parte dos criminosos, de um perfil em rede social de mentoria, onde eles ensinavam técnicas de golpes digitais para centenas de seguidores, criando uma verdadeira rede de multiplicação do crime.
“Esta investigação mostra como a tecnologia pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Precisamos estar sempre um passo à frente dos criminosos, desenvolvendo técnicas de investigação tão sofisticadas quanto os crimes que combatemos”, concluiu o delegado Filipe Borges Bringhenti, diretor da Divisão de Combate aos Crimes Cibernéticos (DRCC/Dercc).
A ação contou com a participação das Polícias Civis dos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco.
Ainda não há pronunciamento da defesa dos investigados.
‘Vida de luxo e deboche’
A prisão do influenciador baiano noticiada por diversos veículos paulistas, dentre eles o site Todo Dia, especializado nas regiões de Campinas e Piracicaba. “Vida de luxo e deboche: conheça o homem preso em Hortolândia suspeito de golpes na internet”, diz a manchete. Veja abaixo:
