Dados divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado, nesta terça-feira (11), apontam que Salvador e Região Metropolitana registraram pelo menos 118 tiroteios em julho.
De acordo com o levantamento, neste período, 93 pessoas morreram e 27 ficaram feridas – totalizando 120 baleados.
O estudo aponta ainda que 62 ocorrências aconteceram durante ações e operações policiais, o equivalente a 52% dos tiroteios registrados no mês. Esses episódios deixaram 49 mortos e 12 feridos.
Chacinas
O Instituto Fogo Cruzado registrou em julho seis chacinas. Segundo o levantamento, todas durante ações ou operações policiais, que deixaram 16 pessoas mortas.
No mesmo mês de 2025, foram quatro chacinas, com 14 mortos. O número de chacinas cresceu 50% em um ano, enquanto o número de vítimas aumentou 14%, passando de 14 para 16 mortos.
A concentração de chacinas em ações policiais também aumentou. Em julho de 2025, duas das quatro chacinas registradas ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente a 50% dos casos. Em julho deste ano, todas as seis chacinas ocorreram nesse contexto.
Os seis casos registrados em julho ocorreram nos bairros de Capelinha, Castelo Branco, Cosme de Farias, Barreiras, Nordeste de Amaralina e Beiru/Tancredo Neves, em Salvador.
Apesar da alta registrada em julho, o acumulado do ano apresenta redução no número total de chacinas. De janeiro a julho de 2026, foram registradas 20 chacinas, contra 24 no mesmo período de 2025, uma queda de 17%. A diferença, porém, aparece na participação das ações policiais: neste ano, 19 das 20 chacinas ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente a 95% dos casos. Em 2025, foram 16 chacinas em ações policiais entre as 24 registradas, correspondendo a 67%.
Apesar da redução de 17% no número total de chacinas, o número de pessoas mortas em chacinas durante ações policiais permaneceu o mesmo: 65 vítimas nos dois períodos. Em 2026, 65 das 68 pessoas mortas em chacinas foram vítimas de casos ocorridos durante ações ou operações policiais, o equivalente a 96% das mortes. Em 2025, foram 65 das 89 vítimas, ou 73%.
“Quando olhamos apenas para o número total de chacinas, temos uma redução no acumulado do ano. Mas, quando observamos como esses episódios acontecem, o cenário chama atenção: 95% das chacinas registradas em 2026 ocorreram durante ações ou operações policiais. E, mesmo com menos casos, tivemos o mesmo número de pessoas mortas em chacinas durante ações policiais. Esses dados refletem uma concentração da letalidade em determinadas dinâmicas e territórios, e isso precisa ser considerado. Não podemos tratar como mera coincidência eventos com múltiplas mortes sempre nos mesmos CEPs”, afirma Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado. Ainda segundo ela, a segurança pública precisa ser pensada a partir da proteção da vida e da redução da letalidade, e não da naturalização de mortes como resultado positivo.
Dados detalhados
Municípios
Salvador: 80 tiroteios, 67 mortos e 20 feridos
Camaçari: 11 tiroteios, 6 mortos e 4 feridos
Lauro de Freitas: 9 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido
Dias D’ávila: 7 tiroteios e 5 mortos
Candeias: 4 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Mata de São João: 2 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Pojuca: 3 tiroteios e 1 morto
Simões Filho: 2 tiroteios e 2 mortos
São Francisco do Conde: 1 tiroteio e 1 morto
Bairros
Durante o mês de abril, os bairros mais afetados pela violência armada foram:
Beiru/Tancredo Neves (Salvador): 5 tiroteios e 1 morto
Narandiba (Salvador): 5 tiroteios, 5 morto e 1 ferido
Areia Branca (Lauro de Freitas): 4 tiroteios e 2 mortos
São Cristóvão (Salvador): 4 tiroteios e 1 morto
Concórdia (Dias D’Ávila): 3 tiroteios e 3 mortos
Portão (Lauro de Freitas): 3 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido
Cosme de Farias (Salvador): 3 tiroteios e 4 mortos
Imagem: : YouTube/Atribulações na Favela
